| Alberto Nepomuceno | Antônio Bezerra | Antônio Conselheiro | Antônio Rodrigues Ferreira (Boticário Ferreira) |
| Antônio Sales | Barão de Studart | Bezerra de Menezes | Capistrano de Abreu |
| Dragão do Mar | Gustavo Barroso | Jacaré | João Brígido |
| José de Alencar | Jovita Feitosa | Juvenal Galeno | Padre Cícero |
| Padre Ibiapina | Pedro Pereira | Patativa do Assaré | Quintino Cunha |
| Rachel de Queiroz | Rodolfo Teófilo | Senador Pompeu | Saiba mais... |
Alberto
Nepomuceno nasceu em em julho de 1864, na cidade de Fortaleza, mais precisamente
na antiga Rua Amélia (Atual Rua Senador Pompeu). Era filho de Victor Augusto
Nepomuceno, músico professor de violino e organista da antiga catedral. Desde
cedo, Victor ensinou música a Alberto, que logo mostrou seu talento. Aos 8 anos,
mudou-se para Recife com a família. Ficou órfão aos 16 anos, tendo que trabalhar
numa tipografia e dar aulas de piano para sustentar a família - sem nunca
abandonar os estudos musicais. Aos 20 anos, regressou a Fortaleza, onde se
filiou ao grupo abolicionista Centro 25 de Dezembro através de suas ligações com
João Brígido e João Cordeiro. Nesse tempo, Alberto já tinha
planos de ir para a Europa aperfeiçoar sua formação musical, mas as suas
atividades abolicionistas fizeram com que o Governo Imperial negasse uma ajuda
de custo. No ano seguinte mudou-se sem a família para o Rio de Janeiro. Lá, fez
inúmeras apresentações, entrou em contato com vários artistas e foi nomeado
professor de piano do Clube Beethoven. Seu interesse pela literatura brasileira
fez com que se aproximasse de escritores como Olavo Bilac, Aluísio de Azevedo e
Machado de Assis - contato salutar que fortaleceu seu interesse pela valorização
da língua portuguesa na música. Em 1888 Alberto termina uma turnê nordestina,
com a qual finalmente arrecadou fundos para sua viagem à Europa. Morou em várias
capitais européias. Casou com uma alemã, com quem teve 4 filhos, conheceu vários
compositores famosos da época, regeu várias peças e fez grande sucesso com seu
trabalho. Alberto tornou-se um dos mais ousados músicos da historiografia
brasileira. Defendia o estudo do folclore brasileiro como meio de conhecer
nossas raízes musicais e fundar nossa própria escola musical. Incorporou com
grande estilo a tradição popular à musica erudita e divulgou o trabalho de
compositores brasileiros na Europa. Retornou ao Brasil em 1895. No Rio de
Janeiro, apresentou suas primeiras canções escritas em português. Fez vários
concertos, dirigiu o Instituto Nacional de Música (1902-1903) e compôs o hino do
Ceará. Foi um grande incentivador de Heitor Villa-Lobos, cuja obra deu
continuidade ao seu pioneirismo. Em 1919 compôs sua última peça, para piano e
voz, com versos de Juvenal Galeno. Faleceu em 23 de
setembro de 1920.
Antônio Bezerra de Menezes nasceu em Quexeramobim (CE) em 21 de fevereiro de
1841, filho do líder católico Manoel Soares da Silva Bezerra de Menezes e
Maria Teresa de Albuquerque Bezerra. Como jornalista, defendeu
fervorosamente a causa abolicionista, fazendo parte inclusive da Sociedade Cearense
Libertadora. Compôs versos com Justiniano de Serpa e Antônio Martins. Como
cronista e historiador rigoroso deixou importantes registros históricos da
Fortaleza do final do século XIX, foi um dos fundadores do Instituto do
Ceará (1887) e da Academia Cearense de Letras, em 1894 (Patrono da Cadeira
n.º 5), tendo sido membro da Padaria Espiritual, em 1892 e do Centro Literário,
em 1894. Faleceu em 28 de agosto de 1921.
Antônio
Vicente Mendes Maciel - Nasceu em Quixeramobim (CE) no ano de 1828. Viveu em uma
sociedade injusta, marcada pela exclusão, violência e miséria. Em virtude da
morte de seu pai, em 1855 (devido a disputa de terras), não pôde continuar os
estudos e tornar-se padre. Casado, fracassou em vários empregos: professor
primário, caixeiro e rábula. Foi abandonado pela mulher em 1957, que o trocou
por um soldado de polícia. Arruinado e sem dinheiro, mudou-se para Bahia. Tinha
o sonho de viver em uma comunidade sem exploração, tendo como sustentáculo, a Fé
e o trabalho, onde as pessoas fossem felizes e vivessem em paz. Tornando-se um
beato e iniciou sua pregação, formando uma legião de seguidores sertanejos. Em
1893, Conselheiro e seus seguidores fixaram-se numa fazenda abandonada (às
margens do rio Vasa-barris), que Conselheiro batizou como "Arraial de
Belo-Monte", mais conhecida como Canudos, formando uma comunidade alternativa,
igualitária. Logo a comunidade atingiu dimensões extraordinárias, atingindo 30
mil pessoas e assustou as elites nordestinas, que perdiam sua mão-de-obra
servil. Canudos passou a ser difamada e descriminada, culminando com a sua
destruição em 1897. Conselheiro foi morto e a maioria dos canudenses foram
degolados. Esta é a única foto de Antônio Conselheiro que chegou aos nossos
dias. O episódio de Canudos inspirou o jornalista Euclides da Cunha
(correspondente do jornal "O Estado de São Paulo") a escrever a obra "Os
sertões" e muitas outras obras como pinturas de
Descartes
Gadelha e o filme" Canudos".
Antônio
Rodrigues Ferreira
(Boticário Ferreira)
Antônio
Rodrigues Ferreira nasceu do Rio de Janeiro, em 1799. Ainda jovem, veio para
Fartaleza, trabalhando como caixeiro para o comerciante Antônio Caetano. Foi
vereador, prefeito e presidiu da Câmara Estadual do Ceará de 3 de março de 1843
até 29 de abril de 1859, quando faleceu. Como presidente, era o executor das
decisões do Colegiado e suas ações são notórias na história da cidade de
Fortaleza. Empenhou-se na construção da Santa Casa, foi
o responsável pela construção da Praça do Ferreira e
resguardou tenazmente, ao lado de Silva Paulet, a regular expansão urbana de
Fortaleza.
Um
dos principais escritores cearenses, nasceu a 13 de junho de 1868 em Parazinho,
lugarejo próximo a Paracurú, atualmente coberto pelas dunas. Em 1884,
passou a trabalhar como caixeiro em Fortaleza. Era autodidata e começou escrevendo nas horas vagas.
Dois anos depois de chegar em Fortaleza, em 1886, publica seu primeiro soneto,
pelo Clube Literário. Tornou-se funcionário público em 1888, trabalhando na
Intendência de Socorros Públicos de Fortaleza, mais tarde assumindo o cargo de
Secretário de Estado dos Negócios do Interior. Foi o idealizador, fundador
e líder da Padaria Espiritual, e o principal
responsável pela irreverência do movimento. Em 1897 foi transferido para o Rio
de Janeiro, onde conheceu entre outros, Machado de Assis e participou das
primeiras cogitações para criação da
Academia Brasileira de Letras. Muito admirado fora do Ceará, Antônio Sales
foi cogitado para compor o primeiro corpo de sócios da entidade. Fundou o jornal
"Correio da Manhã", onde teve forte atuação, e contribuiu com muitos outros
jornais de todo Brasil. Sua obra-prima, "Aves de Arribação", belíssimo romance,
foi publicada em 1902. Em 1920, voltou para o Ceará. Dez anos depois, foi
chamado para a Academia
Cearense de Letras, que presidiu até 1937. Ocupou a cadeira N.º 20 (José de
Alencar). Faleceu aos 72 anos, em 14 de novembro de 1940, quando vivia na Rua
Liberato Barroso, nº 1383. Foi enterrado no Cemitério São João Batista,
em Fortaleza
Adolfo
Bezerra de Menezes Cavalcanti. Nasceu na Freguesia de Riacho do Sangue, hoje
Jaguaretama, em 29 de agosto de 1831 e faleceu na manhã de 11 de abril de 1900,
no Rio de Janeiro. Intelectual e político de peso na sua época, teve grande
atuação na capital do Império, embora seja mais lembrado pela dedicação aos
pobres como médico e pela divulgação do Espiritismo, doutrina que aderiu aos 55
anos. Entre 1842 e 1846 viveu na Serra dos Martins (RN), devido à
perseguição a sua família devido à aproximação com o Partido Liberal. De volta
ao Ceará, matriculou-se no Liceu do Ceará,
onde concluiu o curso secundário. Em 1851 mudou-se para o Rio de
Janeiro, onde fez o curso de medicina e ficou conhecido como "Médico
dos Pobres" - atendendo gratuitamente os enfermos carentes. Tornou-se
2º Cirurgião-Tenente do Corpo de Saúde do Exército, membro da Academia
Imperial de Medicina, membro honorário no Instituto Farmacêutico e,
mesmo do Rio de Janeiro, presidiu a Sociedade Beneficência Cearense.
Dez anos depois de mudar-se para o Rio de Janeiro, entra para o cenário
político como vereador, pelo Partido Liberal. Representou o Rio de
Janeiro ainda como Deputado Geral até 1885. Abolicionista e opositor da
monarquia, trabalhou sempre pelos mais fracos. Depois de 11 anos de
intimidade com o Espiritismo, adotou-o oficialmente em 1886. E a partir
desse período, passou a dedicar-se à doutrina, contribuindo para
a sua divulgação e presidindo a Federação Espírita por duas vezes.
"Príncipe
dos historiadores brasileiros", João Capistrano Honório de Abreu nasceu
a 23 de outubro de 1853, em Maranguape (CE). Estudou no Ateneu
Cearense, no Seminário Episcopal da Capital e conluiu os estudos em
Pernambuco, no colégio de Artes de Refice. Quando voltou à Fortaleza,
fundou a Escola Popular (1874), jutamente com Thomaz Pompeu -
estabelecimento que oferecia educação no período noturno para pessoas
de baixa renda. Em 1875 foi para o Rio de Janeiro, a convite de José de
Alencar. No Rio, era colaborador d"O Globo" e da "Gazeta de Notícias".
Ensinou no Colégio Aquino e em 1880 passou a ser professor de História
no Colégio Pedro II, em cujo concurso impresisonou até o próprio
Imperador. Era Oficial da Biblioteca Nacional e em 1887 foi eleito
membro do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil. Grande
pesquisador, renovou os estudos históricos no Brasil no que diz
respeito a investigação e interpretação. Era altamente rigoroso quanto
às fontes de pesquisa. Publicou inúmeras obras sobre história,
geografia e antropologia do brasil. Casou-se com a carioca Maria José
Fonseca (em 1881), com quem teve 5 filhos. Faleceu em 13 de agosto de
1927 no Rio de Janeiro. Foi enterrado no Cemitério São João Batista.
Francisco José do
Nascimento - Jangadeiro, popularmente conhecido como Chico da Matilde, nasceu em
15 de abril de 1839 em
Canoa Quebrada, Aracati (CE). Símbolo nacional da luta contra a escravidão, virou "Dragão do
Mar" devido à sua coragem e ousadia de recusar-se a transportar escravos em sua
jangada. Sob influência dos abolicionistas, junto com José Luís Napoleão
comandou a greve dos jangadeiros contra a escravidão nos dias 27, 30 e 31 de
janeiro de 1881, no porto do Mucuripe. Em 1884, quando oficialmente foi abolida
a escravidão no Ceará (4 anos antes que no resto do Brasil), Dragão do Mar foi
levado até a capital do País, onde foi alvo de várias homenagens. Desfilou pelas
ruas e Foi até a corte com sua jangada, onde foi recebido com uma chuva de
flores pelos abolicionistas. Entregou sua jangada ao Museu Nacional, como marco
do abolicionismo dos jangadeiros cearenses. Faleceu em 6 de março de 1914.
Gustavo
Dodt Barroso nasceu em 29 de dezembro de 1888, em Fortaleza, mais precisamente,
no início da Rua Formosa (Barão do Rio Branco). Na infância, estudou no Colégio
Parténon, do professor Lino Encarnação e no Liceu do Ceará.
Cursou por três anos a Faculdade Livre de Direito do Ceará
e em 1911, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde concluiu o curso. Entre
1915 e 1918, exerceu o mandato de Deputado Federal pelo Ceará. No governo de
Benjamim Barroso, ocupou o cargo de Secretário do Interior e da Justiça. Foi
jornalista, trabalhou do "Unitário", de João Brígido, no
Jornal do Ceará e no Jornal do Comércio. Escreveu várias crônicas históricas e
fez vários registros da cultura e do folclore cearenses em seus livros.
Apaixonado por Fortaleza, é sem dúvida, um dos mais importantes cronistas da
cidade. Foi diretor do Museu
Histórico Nacional e em 1923, entrou para a
Academia Brasileira de Letras (Cadeira
19 / posição 3), da qual foi Secretário Geral e Presidente por duas vezes.
Deixou uma das mais extensas e ilustres bibliografias do Brasil (mais de 100
livros), incluindo romances, crônicas, história, folclore, economia, e muitos
outros temas. Faleceu no Rio de Janeiro, em 3 de dezembro de 1959.
Durante sua ditadura,
Getúlio Vargas criou a Legislação Trabalhista, garantindo alguns direitos
básicos dos trabalhadores. Os jangadeiros além de trabalharem em condições
miseráveis, não usufruíam dos benefícios pois sua profissão não era reconhecida.
Assim, Manuel Olimpio Meira, pescador fortalezense mais conhecido como "jacaré",
juntou-se a outros 3 jangadeiros e liderou uma viagem de jangada até o Rio de
Janeiro (então capital do Brasil) no intuito de levar a Getúlio Vargas as
reivindicações dos pescadores. Saíram da Praia de Iracema em 14 de setembro de
1941 e depois de 61 dias concluíram o percurso de 2500 km até o Rio de Janeiro.
O Feito dos jangadeiros fortalezenses teve repercussão nacional e foram
recebidos com louvor na capital brasileira, onde se encontraram pessoalmente com
o presidente Vargas. Pouco tempo depois, em 1942, o cineasta norte-americano
Orson Welles (autor do filme "Cidadão Kane") veio ao Brasil fazer um filme com a
história dos pescadores. Infelizmente, durante as filmagens, Jacaré faleceu.
Caiu da jangada e seu corpo desapareceu no mar. O filme nunca foi concluído. Em
1982 a película foi encontrada e em 2001, foi lançado um documentário sobre a
história dos pescadores e do filme de Orson Welles - "O
Cidadão Jacaré".
João
Brígido nasceu em 3 de dezembro de 1829 na cidade de São João da Barra (RJ), mas viveu
no Ceará desde pequeno. Combativo, polêmico e destemido, começou a atuar
na imprensa aos 21 anos, trabalhando no Jornal "O Araripe", no Crato. Trabalhou
ainda no jornal "O Cearense" ao lado do Senador Pompeu. Foi
professor do Liceu do Ceará e atuou por vários anos na
política, tendo exercido mandatos de deputado e senador, até que em 1903, fundou
seu próprio jornal, "O Unitário", onde fazia oposição mordaz à oligarquia de
Nougueira Accioli. Escreveu alguns livros sobre história do Ceará, como
"Apontamentos para a história do Cariri" (1888) e "Ceará: Fatos e Homens". Fez
também muitas crônicas históricas com temáticas cearenses, a principal é
"Fortaleza em 1810", publicada no "Unitário". Umas das mais preciosas descrições da cidade no início do século
XVIII. Faleceu em 14 de outubro de 1921, em Fortaleza.
Antônia
Alves Feitosa - Nascida em Brejo Sêco (Inhamuns), em 8 de março de 1848. Perdeu
a mãe com apenas 12 anos, devido à uma epidemia de cólera. Mudou-se com o Pai
para Jaicós (PI). Tinha 17 anos e pretendia dedicar-se à arte da música, quando
tomou conhecimento da Guerra do Paraguai. Largou seus anseios musicais e,
escondida e disfarçada de homem, foi à capital alistar-se para ir à guerra
"vingar a humilhação passada pelos seus compatriotas nas mãos dos desalmados
paraguaios". Jovita conseguiu alistar-se, porém, ainda antes de ir para a
guerra, foi descoberta: uma mulher percebeu os furos em suas orelhas, apalpou
seus seios à força e a denunciou às autoridades. Mesmo descoberta, em 9 de
setembro de 1865, Jovita foi ao Rio de Janeiro com os demais voluntários, onde
foi aclamada pelo povo e recebeu inúmeras homenagens, discursos e admirações
devido à sua atitude patriótica. Contudo, uma semana depois, o então ministro da
guerra expediu um ofício impedindo-a de ir aos campos de batalha. Jovita acabou
matando-se de tanta infelicidade.
Cícero
Romão Batista - Nasceu no Crato, região do Cariri, em 24 de
março de 1844. Iniciou-se cedo na vida religiosa. Preparou-se no
Seminário da Prainha, em fortaleza (ver fotos)
e ordenou-se padre em 1870, regressando ao Crato. Foi convidado por amigos a
passar uma temporada em Juazeiro do Norte (também na região do Cariri), pois a
cidade estava sem sacerdote. Acabou ficando lá pelo resto da vida, envolvendo-se
com a política e tornando-se um verdadeiro patriarca do Juazeiro. Na manhã de 1ª
de março de 1889, durante sua rotina diária de padre, presenciou um milagre: ao
dar comunhão às beatas, uma delas, Maria de Araújo, cai no chão. Ao socorrê-la,
os presentes viram a hóstia, tingida de sangue, caída no chão. Achou-se ser o
sangue de Cristo. De início, o fato foi mantido em segredo, apesar de ter se
repetido várias vezes. Quando o monsenhor Francisco Monteiro, Reitor do
seminário do Crato, ficou sabendo, o milagre virou notícia nacional. Foi alvo de
investigações e de grandes controvérsias entre o Padre Cícero, Dom Joaquim,
bispo do Ceará e a Igreja Católica. Padre Cícero teve que se retirar de Juazeiro
por alguns meses sob ameaça de excomunhão e chegou a ir a Roma para se explicar
ao Santo Ofício. Sua atuação na política foi mais expressiva à partir de 1908.
Foi o 1º prefeito de Juazeiro e chegou a ser vice-presidente do Ceará. Esteve
sempre envolvido com as elites, atuando como conciliador entre as oligarquias
rurais e os sertanejos pobres, impedindo sua emancipação social e política.
Acumulou imensa riqueza, tendo ao final da vida, segundo seu próprio testamento,
5 fazendas, 30 sítios, imensa criação de gado, vários terrenos e construções
urbanas. Riqueza comparável a das famílias ricas tradicionais da região. Faleceu
em 20 de julho de 1934. TInha 90 anos, seu enterro foi acompanhado por milhares
de pessoas e recentemente foi perdoado pela igreja.
José Antônio Pereira
Ibiapina nasceu em Sobral, em 1806. Era filho do tenente-coronel Francisco
Miguel Pereira Ibiapina, que participou da Confederação do Equador ao lado de
José Martiniano de Alencar (pai do escritor José de Alencar). Ao final da
Confederação, José Martiniano de Alencar foi inocentado, mas o tenente-coronel
Francisco Miguel Pereira Ibiapina não teve a mesma sorte: foi fuzilado no Campo
da Pólvora em Fortaleza (local que passou a chamar-se, em homenagem aos
participantes da confederação, "Praça dos Mártires" - atual
Passeio Público).
Padre Ibiapina
bacharelou-se em direito pela Academia de Olinda (PE) em 1832. No ano seguinte
tornou-se juiz de Quixeramobim (CE), cargo que ocupou até 1936. Militou no
Partido Liberal e chegou a ser noivo de Carolina Clarence, filha de Tristão
Gonçalves. Largou tudo e entrou no Seminário, ordenando-se padre em 1853 (já com
47 anos). Iniciou uma grande peregrinação pelo sertão nordestino, praticando
obras filantrópicas e ajudando o povo. Com ajuda de seus seguidores criou vários
orfanatos, construiu cemitérios, açudes, cacimbas e capelas. Adquiriu fama de
profeta e curador. Faleceu em 1883, na Paraíba. Sua prática religiosa e social,
voltada ao povo serviu de inspiração para Antônio Conselheiro
e Padre Cícero.
Pedro Pereira da Silva Guimarães - Deputado de Aracati, foi pioneiro do abolicionismo no meio jurídico. Vinte anos antes da aprovação da "Lei do Ventre Livre", entre 1850 e 1852, apresentou na Câmara Geral do País, sem sucesso, vários projetos para alforriar os os negros então nascidos.
José
Quintino da Cunha. Nasceu em 24 de fevereiro de 1875, em São Francisco
de Uruburetama, hoje município de Itapajé. Quintino Cunha, advogo e
poeta - O "Bocage" cearense - ficou
famoso por seu jeito moleque, suas "tiradas", sua alegria contagiante e sua sensibilidade.
Boêmio, assíduo freqüentador das rodas de bate-papo na Praça do Ferreira,
no Passeio Público, nos antigos cafés Java, Art
nouveau, Glória e Riche, declamava versos e discutia sobre
arte, literatura e política. Seu talento jornalístico aflorou cedo. Já aos 11
anos, estreou na imprensa, redigindo "O Álbum" e
colaborando no jornal "O Cruzeiro", ambos de Baturité. Aos 16 anos,
escreveu "O Cabeleira", homônimo de Franklin Távora, ressaltando o lado humano
do temido personagem Cabeleira. Estudou no Ginásio Cearense, então
dirigido pelo Professor Anacleto Cavalcanti e na Escola Militar. Depois de
alguns anos atuando como rábula, cursou a
Faculdade Livre de Direito do Ceará. Aceitava os casos mais difíceis de defesa e mesmo assim, conseguia
sucesso. Foi Deputado Estadual, ocasião em que defendia fervorosamente a
melhoria da instrução do povo e onde lutou contra a extinção da Faculdade de
Direito, então cogitada na Assembléia. Residia na Av. Visconde do Rio Branco,
3312 quando faleceu, na madrugada de 1º de junho de 1943. Em seu túmulo, a
citação: "O Padre Eterno, segundo / refere a História Sagrada / Tirou o mundo do
nada / e eu nada tirei do mundo".
Rodolfo
Marcos Teófilo nasceu em Salvador da Bahia, em 1853, e faleceu em Fortaleza, em 1932.
Órfão aos 11 anos, ficou sob tutela do parente José Francisco da Silva Albano, o
Barão de Aratanha. Formou-se em farmácia pela Faculdade de Medicina da Bahia, em
1875 e estabeleceu-se no Ceará. Era um homem muito inteligente, eclético,
solidário e atuante. Resumidamente, foi professor do Liceu do Ceará, Catedrático
de Ciências Naturais da Escola Normal; dirigiu a
Padaria
Espiritual, escreveu vários romances, crônicas, contos e poesias, sendo patrono
da cadeira de n.º 33 da Academia Cearense de Letras; participou do Instituto
Histórico e Geográfico Brasileiro, do Instituto do Ceará
e defendeu os ideais abolicionistas. Contudo, seu feito mais marcante
na história cearense – uma real prova de amor ao povo cearense e algo
realmente digno de homenagens até maiores – foi extinguir, por
iniciativa própria, a varíola do Ceará no ano de 1903, através de uma
heróica campanha de vacinação. Depois de assistir o descaso da
administração pública frente à grande epidemia de varíola de 1878 no
Ceará, Rodolfo Teófilo decide iniciar uma campanha de vacinação contra
a doença. Aprendeu a fabricar a vacina e, em 1901, passou a vacinar o
povo com ajuda de sua mulher e um criado. O único limite à sua
filantropia foram a falta de recursos e infra-estrutura, problema que
tentou contornar criando uma pequena industria, cujos lucros foram
utilizados para a construção de seu instituto vacínico – “Vacinogênio
Rodolpho Teophilo”. Conforme seus próprios relatos, ia pelos subúrbios,
de casa em casa, de palhoça em palhoça, vacinando as pessoas. Somente
mais tarde criaria a Liga Cearense Contra a Varíola, contando então com
voluntários em praticamente todo o interior do estado na luta contra a
doença. Rodolfo Teófilo não contava com o suporte da administração
pública. Pelo contrário, a oligarquia de Antônio Nogueira Acioli,
sentindo-se desmoralizada pelo heroísmo e sucesso de Rodolfo Teófilo
frente à suas ineficientes gestões, passou a desmoralizá-lo e
insultá-lo através da imprensa. Rodolfo chegou a ser demitido do Liceu
e a população carente, que mais necessitava da vacina, não confiava em
suas vacinas. Devido a isso, Rodolfo Teófilo teve que chegar ao extremo
de pagar às pessoas para que se deixassem vacinar.
Tomás
Pompeu de Souza Brasil, mais conhecido como Senador Pompeu, nasceu em Santa
Quitéria (CE), em 6 de julho de 1818. Estudou na Faculdade de Direito do Recife
e no Seminário de Olinda. Foi o primeiro diretor do Liceu do
Ceará, onde era também professor de História e Geografia. Em 1845, ano em
que começaram as atividades do Liceu, Tomás Pompeu entrou também para a
política. Líder do Partido Liberal no Ceará, foi indicado como senador em 1864.
Publicou várias obras sobre história e geografia e foi membro do Instituto
Histórico e Geográfico Brasileiro, fundado em 1938.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~ Saiba Mais ~~~~~~~~~~~~~~~~~~
BEDÊ, F. L. O. Capistrano de Abreu, príncipe dos historiadores brasileiros, Fortaleza: Francisco L. O. Bedê, 2003, 67 p.
FARIAS, A. História do Ceará: dos índios à geração Cambeba, Fortaleza: Tropical Editora, 1997, 296p.
Klein filho, L. Bezerra de Menezes, Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2002, 80 p.
MARTINS, F. Alberto Nepomuceno, Fortaleza, Edições Demócrito Rocha, 2000, 72p.
Página do Padre Cícero (Cearense do Sèculo)
PARO, I. C. Antônio Conselheiro, In: Rebeldes Brasileiros: homens e mulheres que desafiaram o poder (Coleções Caros Amigos), fascículo n.º 2, São Paulo: Editora Casa Amarela, 2000, p. 48-63.
SOUZA, F. J. Quintino Cunha, Fortaleza, Edições Demócrito Rocha, 2002, 80p.