Etnias Nativas
Jenipapo-Canindé / Tapeba / Pitaguary / Tremembé / Saiba Mais...
Não se sabe quantas etnias existiam nem a quantidade total de índios presentes no Ceará (nem no Brasil) antes das Américas serem colonizadas. As etnias nativas sofreram um grande genocídio, no começo devido aos colonizadores europeus e depois, aos próprios brasileiros. Infelizmente, até hoje ainda são vítimas de descriminação e preconceito.
Devido à ação dos colonizadores, jesuítas e contato permanente com a "civilização", os índios acabaram perdendo traços de suas culturas e se miscigenado com os "brancos". Para agravar a situação dos índios cearenses, em 9 de outubro de 1863, durante o governo de José Bento da Cunha Figueiredo Júnior, foi aprovado um decreto na Assembléia Provincial do Ceará declarando extintos os índios no Ceará, e qualquer um que alegasse ser índio estaria mentindo. Isso contribuiu para que os próprios índios escondessem suas origens, dificultando ainda mais o conhecimento das tribos e criando um mito de que não haviam índios no Ceará.
Antigos
levantamentos da FUNAI e de missionários apontavam a inexistência de
índios no Piauí, no Ceará e no Rio Grande do Norte. Graças aos
trabalhos da Igreja e de antropólogos, na década de 80, os índios
cearenses começaram a mostrar sua cara. Hoje se sabe que no Ceará
existem pelo menos 16 etnias nativas. As principais são:
Jenipapo-Canindé, Tremembé, Tapeba, Pitaguary, Tupinambá, Tabajara,
Potyguara, Kalabaça e Kanindé.
Apesar de suas singularidades, as etnias cearenses possuem muito em comum, como é o caso do Toré, ou Torém. O Toré é um ritual de reverência à Divindade Criadora, de iluminação espiritual e gratidão pela vida e pela natureza. Durante o ritual, os índios os índios cantam, dançam e bebem o mocororó, bebida fermentada de cajú. É celebrado em português, uma vez que a língua indígena foi esquecida com o passar do tempo.
Atualmente, os índio cearenses estão se articulando, e graças a sua união, estão conseguindo o reconhecimento de novas etnias, a demarcação de suas terras e escolas de educação indígena.
Os índios Jenipapo-Canindé
fora "descobertos" no município de Aquiraz por pesquisadores da
Universidade Federal do Ceará na Década de 80, quando começaram a ser
alvo de vários estudos antropológicos e de visitas de curiosos. Até
então, os
Jenipapo-Canindé tinham tido pouco contato com os "brancos". Graças ao
contato precoce e duradouro com os acadêmicos, possuem uma liderança atuante e
engajada. Atualmente estão tendo problemas de disputa de terras com grandes
proprietários.
"Vó Pequena", a atual líder da
comunidade, conta as histórias que ouvia dos membros mais antigos da tribo sobre a
Guerra do Paraguai (1864-1870). Segundo a história, no tempo da Guerra, os
índios da tribo eram levados à força para se alistar. Alguns fugiam pelas matas
outros se rendiam e iam. Diz ainda que um dos índios que estava sendo forçado a
ir cortou o próprio dedo indicador para não poder mais apertar o gatilho da
espingarda e por isso, não foi à guerra. Essa história é condizente com as
informações de Aírton de Farias (História do Ceará: dos índio à geração cambeba).
Segundo ele, havia um "brutal e aviltante recrutamento", no qual os pobres,
escravos, meeiros, vaqueiros, (e provavelmente os índios) eram praticamente
caçados.
A "Escola indígena de Ensino
Fundamental e Médio Jenipapo-Canindé" foi uma grande conquista para a
comunidade. Começou a funcionar em 1988 com professores "brancos" e desde 1999
todos os professores são índios da própria comunidade com curso de magistério
indígena. Oferece até a 6ª série (3º ciclo do EF) para as crianças durante o dia
e educação para jovens e adultos pela noite. Na escola as crianças aprendem, as
tradições, os rituais e a história da tribo.
Alenda do Morro encantado -
Uma lenda Jenipapo-Canindé afirma que soterrada pelo Morro encantado
(foto ao lado), há uma antiga igreja e que, imersa na lagoa adjacente ao morro,
há uma cidade.
Índios naturais da região de Caucaia (Região metropolitana de Fortaleza), que se originou à partir de um aldeamento jesuítico inaugurado em 20 de outubro de 1741. O nome Tapeba vem do Tupi Itapeava (itá = pedra, e peava = plano, chato), significando ao pé da letra "Pedra plana". Aparentemente os índios dessa etnia passaram a ser chamados de Tapebas devido ao fato alguns deles morarem nas proximidades da "Lagoa do Tapeba".
Os índios Tapebas foram os primeiros no Ceará a buscar o reconhecimento de sua identidade étnica e de seu território. Atualmente possuem um Centro Cultural, local de divulgação da sua história, de seu artesanato, e de sua culinária. Anualmente, em novembro, os índios se reúnem na Lagoa do Tapeba, para a realização da festa da carnaúba, um momento de encontro, celebração e afirmação do povo.
Os Pitaguarys são dos municípios de Maracanaú e Pacatuba. Somente em 1997 foram reconhecidos pela funai e depois de muita luta conseguiram a demarcação de suas terras. O nome Pitaguary, que quer dizer "comedor de camarão", faz alusão a uma antigo hábito de dos índios da região de pescar camarão. Os Pitaguarys tem origem potiguar. Segundo o Cacique Daniel, alguns índios Potiguaras, naturais do Rio Grande do Norte foram trazidos para o Ceará para ajudar na catequização dos índios cearenses.
Os pitaguarys tem um ritual típico em torno de uma mangueira centenária. Segundo o Cacique Daniel, seu tronco foi utilizado para açoite dos antepassados da tribo. Foi um local de grande sofrimento e portanto tem forte carga espiritual.
Segundo o Instituto das
Tradições Indígenas - IDETI, os Tremembés aparecem nos registros históricos
brasileiros desde o século XVII, ocupando a zona litorânea entre os estados do
Pará e o Rio Grande do Norte. Hoje em dia, no Ceará, vivem na região de
Almofala, no município de Itarema, liderados pelo cacique Luis Manuel do
Nascimento (Luis Caboclo).
Maria Amélia Leite - Um ícone
da luta em prol das causas indígenas, Maria Amélia dedicou boa parte de sua vida
às causas indígenas e está ao lado dos índios Tremembés há vários anos.
Atualmente, é Secretária Geral da Associação Missão Tremembé, ONG que assiste o
povo tremembé. Em 12 de maio 2005 foi condecorada com a Medalha do Mérito
Cultural da Universidade Federal do Ceará pela sua história de luta ao lado dos
índios cearenses.
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BARRETO Filho, H. T. B. Tapebas, tapebanos e pernas-de-pau de Caucaia, Ceará: Da etnogênese como processo social e luta simbólica, Série Antropologia - Departamento de Antropologia - UNB, n.º 165, Brasília, 1994, 30p.